O conceito de computação em nuvem (em inglês, cloud computing) refere-se à utilização da memória, capacidade de armazenamento e poder computacional dos computadores interligados por meio da Internet, seguindo o princípio da computação em grade. Com a subutilização destes recursos computacionais em equipamentos modernos, surgiu a necessidade de compartilhar recursos de forma isolada, tornando assim uma máquina física em várias máquinas virtuais, cada uma servindo para um determinado propósito e com seus recursos bem definidos, tentando obter o máximo de aproveitamento dos recursos computacionais.
Prover uma infraestrutura de máquinas virtuais para clientes de forma escalável é hoje uma necessidade mundial e um desafio tecnológico. Este relatório tem por objetivo exibir as características e requisitos necessários para instalar e configurar uma infraestrutura de Cloud para prover máquinas virtuais aos usuários do projeto EduCloud.
O projeto EduCloud é uma iniciativa da Universidade Estadual Paulista - UNESP, em parceria com a Secretaria de Educação do estado de São Paulo, Intel e ACCEPT. Esta iniciativa visa fornecer uma infraestrutura de computação em nuvem para hospedar sistemas de apoio ao ensino para as escolas da rede pública do estado de São Paulo.
Uma das grandes vantagens da computação em nuvem é a possibilidade de utilizar softwares remotamente, oferecidos na forma de serviços, mais comumente chamado de: Software as a Service (SaaS), sem a necessidade de que esses estejam instalados no disco local do computador do usuário. Todavia o leque de vantagens trazidos pelo SaaS é mais amplo, não limitando-se unicamente à economia do recurso de disco do usuário1:
Para implementar uma infraestrutura de nuvem, o Núcleo de Computação Ciêntifica - NCC, da UNESP pesquisou as principais ferramentas livres2 do mercado para que juntas, executem esta tarefa.
Para prover uma infraestrutura de nuvem, faz-se atender as seguintes necessidades:
Alguns softwares existem para suprir estas necessidades. No capítulo 1 falaremos sobre o projeto OpenStack[3], responsável por disponibilizar uma infraestrutura de máquinas virtuais e unidades de armazenamento para as máquinas virtuais. No capítulo 2 falaremos sobre o projeto Hadoop[4], responsável por gerenciamento e manipulação de grandes volumes de dados em ambientes largamente distribuídos. No capítulo 5, falaremos sobre os balanceadores de conexões e de máquinas virtuais, fundamental para balancear a carga da nuvem entre os nós "_workers_", no capítulo 6 falaremos sobre o OCCI[5], uma interface de comunicação entre os serviços de cloud.
O OpenStack consiste em uma coleção de projetos open source criada para fornecer uma infraestrutura de computação em nuvem e armazenamento distribuído. A empresa Rackspace6 e a NASA7 são os principais contribuidores do conjunto de projetos. Hoje o consórcio possui mais de 100 membros, dentre as principais temos: Rackspace, AT&T, NASA, DreamHost, Safew Labs, Citrix, Dell, AMD, Intel, Canonical, Yahoo e HP. O projeto mantém uma página8 com uma lista dos principais contribuidores do projeto.
No OpenStack, existem 3 principais componentes:
Nova é um controlador de poder computacional para o OpenStack. Todas as atividades necessárias durante o ciclo de vida de uma instância (uma máquina virtual sendo executada) com o OpenStack são gerenciadas pelo Nova. Isto faz dele uma plataforma de gerenciamento que manipula recursos computacionais (e.g. rede), além de manter o controle de acesso sobre os recursos, e zelar pela escabilidade da infraestrutura de máquinas virtuais. O Nova não provê nenhuma funcionalidade de virtualização por si só; ele usa a interface libvirt9 para interagir com os hypervisors10 suportados.
O Swift provê um armazenamento para os objetos (dados) de forma distribuída. Ele é análogo ao serviço da Amazon: Simple Storage Service, ou S311. O Swift é capaz de armazenar bilhões de objetos distribuindos entre os nós. Ele possui um mecanismo de redundância e failover e é capaz de armazenar e transmitir os dados. Além disso o Swift é capaz de escalar arquivos considerados muito grandes (petabytes), mesmo que estes sejam em grande quantidade (número de objetos).
O Glance é um sistema de busca e recuperação de imagens de máquinas virtuais. Ele é responsável por gerenciar as imagens das máquinas virtuais, armazenando-as no sistema de arquivos local ou via o OpenStack Object Store - Swift.
Outros componentes, como um front end web (Horizon) e um serviço de autenticação (keystone), também fazem parte do projeto. O OpenStack está disponível no site do projeto10 e está dispobilizado sobre a licença Apache11.
O OpenStack atende as necessidades do projeto EduCloud por se tratar de um conjunto de ferramentas que permitem montar uma infra estrutura de cloud utilizando ferramentas livres. Cada subprojeto do OpenStack tem suas próprias características, mas de modo geral as principais vantagens do OpenStack são:
As principais desvantagens são:
O OpenStack é uma infraestrutura complexa que exige um conjunto mínimo de algumas máquinas. Embora uma única máquina pode ser utilizada para fins de desenvolvimento, os requisitos mínimos para um ambiente de produção exige uma quantidade maior de máquinas.
As recomendações de hardware foram retiradas do site do projeto OpenStack11. Abaixo temos 3 propostas de arquiteturas para o projeto EduCloud, com suas respectivas configurações:

Nesta arquitetura proposta, temos as seguintes máquinas:
Com as seguintes configurações:

Nesta arquitetura proposta, temos as seguintes máquinas:
Com as seguintes configurações:

Nesta arquitetura proposta, temos as seguintes máquinas:
Com as seguintes configurações:
Várias tecnologias podem ser utilizadas para provêr uma infraestrutura de máquinas virtuais. Algumas delas na forma de solução livre, podendo ser instalada em infraestrutura própria, e outras na forma de serviço web, sendo executada na infraestrutura da empresa que a provê.
Entre as tecnologias livres mais conhecidas, temos:
Entre as tecnologias funcionando como serviço web, temos:
Estas são apenas as principais alternativas que atendem os requisitos do projeto, levando em consideração popularidade, quantidade de downloads/mês e nível de maturidade do projeto.
Um balanceador de conexões é o elemento responsável por redirecionar o fluxo de pacotes de redes vindo da Internet para os worker nodes na rede interna, dividindo as conexões de forma mais justa possível para evitar sobre carga em um nó específico. Desta forma, se temos 10 servidores web, o balanceador recebe as conexões e encaminha para os 10 balanceadores dependendo do algoritmo por ele suportado.
Como as conexões HTTP são stateless, é fundamental que o balanceador tenha a capacidade de enviar sempre para o mesmo servidor conexões vindas de um mesmo cliente. O balanceador também é responsável por adicionar ou remover worker nodes da fila de máquinas sempre que necessário.
Durante esta etapa foi feita uma pesquisa inicial sobre os projetos Nginx14 e HAProxy15. Todas as duas tecnologias se encaixam, com vantagens e desvantagens no projeto EduCloud.
O Nginx (pronuncia-se em inglês: Engine X) é um servidor HTTP + proxy reverso e está disponibilizado pela licença BSD. Ele funciona no modo de load balance via um módulo externo.
Já o HAProxy nao é um servidor HTTP (ele não serve páginas estáticas), foi feito exclusivamente para ser um proxy e load balance não só HTTP mas para qualquer protocolo TCP. Seu código está licenciado sob a GPL.
Nenhuma das tecnologias conflita com demais componentes do projeto EduCloud, porém o Nginx possui algumas limitações.
Nginx é um servidor e proxy reverso HTTP de alta performance, gratuito e livre, bem como um servidor proxy para IMAP/POP3.
Foi criado pelo programador russo Igor Sysoev em 2005. Segundo pesquisa da Alexa, reportada pela W3Techs. Em presquisa realizada pela Netcraft em Julho de 201016, o Nginx é usado em 5.21% dos domínios, tornando-se o quarto servidor web mais popular do mundo.
E funciona em UNIX, Linux, BSD, Mac OS, Solaris, e Microsoft Windows.
Todas as duas tecnologias possui um desenvolvimento ativo.
O HAProxy é usado por empresas como Twitter, Farmville, Fedora, github, Reddit, Stack Overflow, Tumblr, entre outras empresas.
Todos os dois projetos existem uma boa documentação, embora elas estejam espalhadas.
Durante a pesquisa inicial a única desvantagem encontrada no HAProxy é que nativamente ele não suporta HTTPS. Porém alguns módulos extras permitem adicionar esta funcionalidade.